O Grupo Zahran, um dos maiores conglomerados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, deve assumir oficialmente o controle do Grupo Jaime Câmara, em Goiás e Tocantins, ainda neste mês. A operação foi articulada pela cúpula da TV Globo e tem como foco principal a concessão da TV Anhanguera, afiliada da emissora carioca nos dois Estados.
Quem é o Grupo Zahran
Além de maior distribuidor de gás da região Centro-Oeste, o Grupo Zahran opera na área de comunicação por meio da Rede Mato-grossense de Comunicação (RMC), controladora da TV Morena (Campo Grande) e da TV Centro América (Cuiabá), ambas afiliadas da Globo. Com a chegada da TV Anhanguera, a RMC passa a atuar em quatro Estados e se torna a maior afiliada da emissora no país.
Entre os principais executivos do grupo estão Caio Turqueto, presidente do Grupo Zahran; Pedro João Zahran Turqueto, CEO da Copa Energia; e Nicomedes Silva Filho, diretor-geral da RMC.
Em recente sessão de homenagem no Senado, Pedro Zahran destacou que a trajetória do grupo se apoia em resiliência e compromisso social, fala endossada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que ressaltou o papel da RMC na preservação da memória regional.
Cade não se opôs ao negócio
O Cade não apresentou objeções à aquisição da TV Anhanguera. A movimentação da Globo no negócio está concentrada exatamente na emissora goiano-tocantinense — o real interesse do Grupo Zahran, que tem no setor de TV sua principal especialidade dentro da comunicação.
Na negociação com o grupo comandado por Jaime Câmara Júnior, porém, o pacote adquirido foi mais amplo: além da concessão da TV Anhanguera, entraram os jornais “O Popular”, “Jornal do Tocantins” e “Daqui”, além de emissoras de rádio.
Futuro incerto para as versões impressas
Especula-se que as edições impressas de “O Popular” — quase centenário — e do “Daqui” sejam descontinuadas, em razão do custo elevado de papel, da estrutura gráfica subutilizada e da logística de distribuição. O “Jornal do Tocantins” já não circula em papel há algum tempo.
A tendência é que “O Popular” siga apenas em formato digital, podendo até abrir o acesso ao conteúdo para todos os leitores como estratégia de ampliar audiência, hoje superada em alguns meses por veículos como Jornal Opção e Mais Goiás.
Data de transição ainda gera dúvida
Os dirigentes do Grupo Zahran mantêm discrição e ainda não confirmaram oficialmente os próximos passos. Um deles já se reuniu com o governador de Goiás, Daniel Vilela, mas nenhuma tratativa comercial foi aberta até agora com o Governo do Estado ou com a Prefeitura de Goiânia, ambos grandes anunciantes.
Nas redações de “O Popular” e da TV Anhanguera, comenta-se que a transição oficial ocorreria em 1º de agosto, mas uma fonte ouvida aponta a segunda-feira, dia 27 de julho, como data real de assunção do controle.
Mudanças na equipe executiva
Inicialmente, os novos gestores assumirão a área financeira, com a saída da maior parte da equipe ligada a Júnior Câmara — entre eles o CEO Breno Machado e o diretor Jurídico e de Relações Institucionais, Guliver Augusto Leão. Já o vice-presidente de Negócios, Ronaldo Borges Ferrante, apontado como o grande operador comercial da empresa, deve permanecer por mais tempo para conduzir a transição.
Nicomedes Silva Filho, hoje diretor-geral da RMC e bem avaliado por executivos da Globo, deve ser deslocado para comandar a operação do Grupo Zahran em Goiás, ao menos num primeiro momento, até a contratação de um profissional especializado para o cargo.
Segundo uma fonte ouvida, os novos controladores agem de forma cautelosa: a ideia é preparar uma nova estrutura antes de desmontar a atual, evitando qualquer tipo de ruptura abrupta. Depois de organizar a casa, o grupo deve iniciar as tratativas comerciais com os setores público e privado.
Marcas e nomes devem ser preservados
O nome TV Anhanguera, já consolidado entre o público goiano e tocantinense, deve ser mantido — assim como o de “O Popular”. Já a marca Grupo Jaime Câmara tende a ser extinta.
Quanto à equipe de jornalismo, a expectativa é de observação num primeiro momento. Executivas como Silvana Bittencourt (à frente de “O Popular”), Brenda Freitas (TV Anhanguera) e Elizangela Nascimento (gerente de Conteúdo Digital) devem ser mantidas por enquanto, com avaliação de desempenho ao longo do tempo.
Meta declarada: mais produtividade
De acordo com uma terceira fonte, o Grupo Zahran deve replicar a metodologia da Globo, priorizando produtividade e resultados. Um dos primeiros objetivos será elevar o faturamento do grupo em Goiás e Tocantins, hoje considerado abaixo do potencial das operações jornalísticas ligadas a uma afiliada da TV Globo.
Com informações do Jornal Opção
